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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Inguinoramsia


Espera um pouco, destino.
Que caminho estranho é esse?
Sei que sou mais um clandestino.
A quem esse mundo pertence?

Por que não tem valor as palavras?
Por que tentam calar minha voz?
Por que me guia a essas magoas?
Cadê as alegrias prometidas a nós?

Para onde foi os sonhos?
Para onde foi a infância.
O que fizeram com nossos planos?
Por que criaram uma maquina de ignorância?

Por que o mundo está assim, sem noção?
Por que tudo esta perdido assim?
O que fizeram com a educação?
Por que conduzem meu país ao fim?

Qual é a sua razão?
O que devemos fazer?
Mas guarde a sua opinião,
Pois é considerado um crime tentar resolver.

Acorda, seu idiota, pra vida!
Note como tudo vem acontecendo:
Nossa juventude está perdida
E todos estão morrendo.

E você, aí, feliz por que seu time de merda ganhou,
Enquanto seu governo retardado compra a dignidade a preço de banana.
Estamos sendo vendidos e ninguém notou,
Mas não importa, pois os estádios estão bacanas.

Quando você conseguir perceber,
Não mais o que se fazer,
Tudo que conhece vai ter que esquecer.
E seu bolsa família vai prevalecer.

Não importa o que pode acontecer,
Jamais aceitarei essa mania de criar idiotas funcionais,
Não importa a dor que isso venha me trazer.
Mas aceitarei ordens desses banais.

Não odeio o governo e seus governantes.
Odeio esse povo idiota,
Que não notam o quantos estão sendo ignorantes,
Pois trocam seu pais por qualquer bosta.




domingo, 17 de julho de 2011

A Mariposa


Queria ficar sozinha. Principalmente depois daquela semana – a pior de sua vida, segundo ela. Cobranças, discussões e brigas eram algumas das suas principais pressões para desejar aquilo. E vinham de todos os lados: família, trabalho, amigos, colegas, namorado… Todos estavam contra a pobre Patrícia. E o pior é que ela nem sabia o porquê ou o que eles queriam. E, por isso, queria ser deixada em paz, para poder aliviar-se de toda essa pressão que vinha sofrendo.
Certa noite, após uma feia briga com os pais, foi dormir triste e cheia de raiva. E não com raiva só de seus pais, mas sim de todos que a cercavam. Se era pra viver daquela forma, preferia que eles não existissem. Só isso desejava naquela noite. Ficar sozinha e mais nada.
E seu desejo era tão grande que chegou a sonhar que estava sozinha. E, em seus sonhos, tudo era alegria e cores. Visões melodiosas envolviam-na, fazendo-a sentir-se livre: podia voar – os pesos que a prendiam à terra não existiam.
E então, em meio àquela viagem onírica, lembrou-se de que tudo aquilo não passava de um sonho. E, em sonho, despencou dos céus, com suas asas em chamas e os olhos cheios de lágrimas. Mas as lágrimas rompiam o surreal, estendendo-se à realidade da jovem Patrícia. Chorava. Desejava não ter ninguém com quem brigar. Ninguém que a sufocasse. Desejava ficar sozinha e só isso.
O sonho é algo espantoso. Às vezes rompe totalmente com a realidade – e de tal maneira que, ainda dormindo, percebemos que um sonho se desenrola. Mas, em outras, se aproxima de tal forma do real, que chegamos a sentir até cheiros, sabores e textura. São quase que impossíveis de se distinguir da realidade.
Há alguns casos, ainda, onde revivemos fatos nos mínimos detalhes. E também, outros, em que, percebido após sua concretização, ainda viveremos. No entanto os sonhos da bela jovem tinham um quê a mais: um quê de desejo. Um desejo ardente. Uma chama na escuridão da noite.
Fato é que muitos seres sentem-se atraídos pela luz. A mariposa, por exemplo.
Só que é fato, também, que ela acaba se expondo e ficando vulnerável por essa atração. Predadores escondem-se por detrás das sombras que a luz propaga – sempre à espreita.
E quem, de ouvidos em pé, a espreitava nas sombras, era o Mestre dos Desejos: como quem apanha uma mariposa se batendo contra a luz com um frasco, ouviu-a. Assim, “capturou-a”: sem nada saber, a jovem que desejava ficar sozinha, foi atendida.
Acordou e dirigiu-se para a cozinha. Não havia café pronto. Ficou indignada com os pais, que levantavam antes dela.
Saiu sem nada comer e dirigiu-se para o ponto de ônibus. Esperou, sem notar que não havia um único ser vivo se movendo por perto. Estava possessa pela situação que passava e pela “ingratidão” de seus pais.
Após uma hora de espera, e já atrasada, resolveu seguir a pé. Estava cega de raiva. Não notava que o grande fluxo de carros e pessoas, comum a esse horário, não existia.
Chegando a seu local de trabalho, encontrou tudo aberto e ligado, mas sem ninguém ali. Tentou encontrar os seus companheiros de trabalho, tentando imaginar “que tipo de brincadeira seria essa”. E, obviamente, sem sucesso.
Saiu do prédio, correndo, e ficou desesperada ao perceber que não havia absolutamente nada se movendo. Era como se, do nada, todos tivessem sumido. E não era isso que ela desejava?
Voltou para casa. Estava em pânico. E seus pais? Estariam em casa? Estariam no trabalho? Estariam bem? Chegou e entrou correndo em direção ao quarto dos pais. Não estavam lá. Mas seus documentos, carteiras bolsas… tudo estava ali. Tudo, menos eles.
Tremia. Teria enlouquecido? Estaria sonhando? Sim! Um sonho! Um sonho, daqueles bem reais! Não, um sonho não: um pesadelo. Isso! Queria acordar. Mas como fazê-lo? Sentou-se. Respirou fundo. Tudo era real demais! E se aquilo não fosse só um sonho? Tentou afastar esse pensamento. Dormir. Isso! Dormiria e, quando acordasse, o pesadelo teria acabado. Ou, então, seus pais teriam tempo de chegar. Estivessem onde estivessem.
 Foi até a farmácia da casa e engoliu diversos comprimidos, sem nem ler para o que serviam. Se tudo era apenas um sonho, não lhe fariam mal. Além disso, remédios dão sono, não é?
A jovem foi acometida por uma pesada sonolência em pouco tempo. E desabou. Dormiu por quase um dia todo, devido aos remédios.
Ao acordar, seu terror foi ainda maior do que antes: percebeu que, de uma forma impossível e sobrenatural, todas as pessoas haviam desaparecido. Na cidade toda. Talvez, até, no mundo todo. Como aquilo poderia ter acontecido?
Rindo, o Mestre dos Desejos se perguntava “mas não era isso o que queria?”, enquanto assistia a mariposa batendo-se, desesperada e ensandecidamente, dentro do frasco, até que acabasse por se matar, exaurindo as suas últimas forças. E sem saber o que a prendia.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Carolina IV - Antropofagia

Depois de tantas tragédias e desilusões em nossas vidas – que nos levaram a desejar (em todo instante) a morte, e eu ter dito que não mais escreveria –, fatos atormentadores forçam-me a ter que prosseguir com os trágicos e fatídicos relatos do Carolina IV e sua tripulação – ou o que dela restou… -, senão enlouquecerei.
Não mais consegui dormir desde o terrível incidente que ocorreu nesse meio tempo de mudez – e se realmente existe um deus, espero que perdoe-nos por tamanha monstruosidade!
Após o ilusório “encontro” com a ilha, fomos carregados para o norte. Estávamos, todos, desiludidos – como se essa desilusão tivesse se ido… -, apenas aguardando a Morte, que insiste em se demorar… - como desejo que ela já tivesse chego!
Nada fazíamos. Passávamos a maior parte do tempo no convés – mas sem chorar: não mais tínhamos lágrimas e, também, não queríamos o mar, com elas, alimentar –, apenas olhávamos o céu e o longínquo horizonte. Descíamos apenas para (tentar) dormir ou comer. Essa ultima já sem nenhum gosto ou prazer – e o que gerava um terrível paradoxo, visto que comíamos para mantermo-nos vivos.
Nossas provisões, estimadas para, no máximo, três semanas, duraram bem mais do que o previsto: cerca de cinco semanas. E duraram todo esse tempo porque, fora o fato de sermos, agora, só sete, mal comíamos...
Mal comíamos, mas se acabaram. E isso, depois de alguns dias, tornou-se desesperador: não mais tínhamos forças. A visão nos falhava. Definhávamos lentamente. Cinco dias que passamos apenas com água. Parecíamos fadados àquela tenebrosa morte.
E então nos sobreveio o pior dos pesadelos: um de nossos companheiros – ignoro o seu nome, por não mais nos considerar seres humanos –, fraco pela inanição, tropeçou na escadaria, enquanto descia e, por mais que a escada não fosse alta,  feriu-se gravemente, chocando sua cabeça contra a quina de um caixote. Entrou em um profundo sono – uma semimorte, um estado que beirava o desmaio e a morte – do qual não mais acordava. Dois dias se passaram sem ele dar sinais de recobrar os sentidos.
Como já disse anteriormente, não mais somos homens. Somos animais. Cruéis animais. E, como tais, o instinto se sobrepõe à razão: enquanto cuidávamos, todos, de nosso companheiro e o víamos naquele estado, o animal que nos habitava aflorou, despertado pela fome. Em desvairo coletivo, iniciamos um banquete insano: devoramos vorazmente o homem do qual cuidávamos – homem que estava vivo e que abruptamente despertou, aos urros de dor e horror, sendo lentamente consumido pelos próprios companheiros!
Ainda posso ouvir seus gritos! Ecoam em minha cabeça! Não sei por quanto tempo, mais, me manterei são… e por isso escrevo – para tentar manter uma conexão com o real e não enlouquecer…
Não consigo imaginar como serão os próximos dias… Ainda dispomos de um pouco daquela carne… e também não tenho ideia de como esse abominável ato afetou meus companheiros… Mas sinto que o verdadeiro terror ainda está por vir…



Miguel Augusto, criatura do Carolina IV
07 de junho de 1500


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Carolina IV - Serpentes


Esperança. A única luz que pode guiar um homem quando esse se encontra em meio às situações mais desesperadoras possíveis. É como os raios do sol após longo período de nuvens e tempestades. Sua luz aparentando maior brilho, calor e intensidade do que antes, como a fênix renascida das cinzas, aliviando corações quebrantados. É o relance do sorriso de deus.
E o sol de nossas esperanças nos tocou com suas douradas mãos, essa manhã, enquanto despertava.
Após dias à mercê das aguas, as mesmas pareciam demonstrar-nos compaixão, guiando-nos, enfim, à terra firme, abrandando-nos corpo e alma e nos dando a oportunidade de chorar a perda de nossos companheiros.
E como, há muito se diz, a esperança é a ultima que morre.
…Mas morre…
Como nova tempestade que, com fortes ventos, bloqueia novamente o sol, enegrecendo o dia ainda mais do que antes. A luz se apaga. A fênix é abatida. E permanece o sorriso de deus: só que de escárnio e sarcasmo – não é Satanás, também, um deus?
As douradas mãos, que nos acariciavam e confortavam, foram decepadas.
Rumávamos, vagarosamente, em direção à ilha, carregados pelas águas. Todos alegres e esperançosos. O sol estava a pino quando nos aproximávamos. E então as demoníacas águas nos tiraram de curso.
(detalhe do rascunho do texto, atrás dos desenhos... :B)
Brincalhonas, desviaram-nos paralelamente, a princípio. Inotável. E depois começaram a nos afastar. Era desesperador. Sete de nossos companheiros, desesperados, atiraram-se nas águas, tentando vencer a distância – cerca de um quilometro – e a correnteza. Mas a forte corrente marinha – serpente que é – os arrastou. Morreram todos – devorados pelos mares…
E nós, os que sobreviveram por medo, prudência – ou seria imprudência? –, nos encontramos totalmente desolados. Não há, mais, o que chorar. Não há mais ânimo ou gosto para nada. Apenas vivemos – até quando, não sei…
Escrevo essa possível última mensagem – não tenho mais forças para ou porque continuar escrever – ao fim do dia. Já não podemos ver a ilha há horas. E também não vejo nada à frente – nem mesmo futuro.
O sol morre no horizonte.





Miguel Augusto, tripulante da Carolina IV
12 de maio de 1500






domingo, 15 de maio de 2011

Carolina IV - Desolação e Esperança

=>LEIA A MENSAGEM DA PRIMEIRA GARRAFA AQUI! <=


Há dois dias lancei ao mar uma garrafa descrevendo a difícil situação em que nós, tripulantes da Carolina IV, estávamos: à mercê das vontades de deus e do destino.
E ao que parece, jogam conosco – seria uma aposta? -, pois após a garrafa ser atirada ao mar, uma súbita tempestade nos atingiu. Ondas gigantescas nos tentavam engolir. O capitão Malaquias, juntamente com mais onze de nossos tripulantes que tentavam algum meio de amenizar os danos e, ao menos, tentar recuperar os controles do leme, foram varridos do convés e devorados pelos mares temperamentais. Que deus tenha pena de suas almas! – e das nossas, também…
A situação, que já era caótica, piorou: as águas pilharam nossa embarcação, levando lunetas, bússolas, cartas náuticas, e vários outros de nossos instrumentos de navegação, deixando-nos mais desolados do que antes.
O único consolo que podemos tirar desse novo terror é que nossas provisões durarão um pouco mais… Temos mais meia semana de vida ao custo da de nossos companheiros.
Talvez tivesse sido melhor ser devorado pelas ág…
Chamam-me no convés. Parecem animados! Irei averiguar.


Parece que os ventos da sorte começam a soprar em nosso favor: no horizonte, o sol nascente nos mostra as sombras do que parece ser uma ilha. E as águas nos carregam para lá! Dentro de algumas horas chegaremos! Não vejo a hora de poder botar os pés em terra firme!
Agora tenho que preparar algumas coisas para o desembarque. Creio que a próxima mensagem que mandarei será em terra!
Uma luz de esperança raia em nossos corações, juntamente com o sol.


Miguel Augusto, tripulante da Carolina IV
12 de maio de 1500


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Brisky

Porco assado. Era esse o cheiro que me chegava às narinas… Mas espero que não estejas com fome, pois porco não era – embora grunhisse feito um -: era uma mulher - e uma belíssima mulher, diga-se de passagem.
Seus belos e expressivos olhos verdes – tão verdes quanto o mar – mostravam dor e horror extremos: arregalaram-se de forma aterrorizante, expondo grande parte dos globos, abrindo bem mais os olhos do que qualquer ser humano comum poderia, devido às pálpebras que se desmanchavam. Isso antes de eles derreterem, vazando de suas órbitas.
Os sedosos, longos e ondulantes cabelos castanhos – que antes esvoaçavam ao vento – eram consumidos pelas chamas, encolhendo e encrespando-se involuntariamente, chegando à cabeça e liberando um cheiro terrível.
A boca de pétalas de rosa, juntamente com a branca e macia pele de pêssego, enegreciam e enrugavam-se, tomando um aspecto de velho e podre. E do velho surgiu o vermelho. Vermelho dos músculos, que foram rapidamente chamuscados.
E todos os líquidos que a constituíam foram tragados, fervilhando e evaporando – queimando-a de dentro para fora -, murchando seu antes belo e perfeito corpo.
Queimada viva, acusada de bruxaria - esse era o motivo de seu brutal assassinato –, seu corpo estalava enquanto o fogo a devorava.
E os gritos… Ah, os gritos! Ainda os ouço! Inundam a minha mente e a estremecem. Ainda mais durante as noites… - não mais poderei dormir… e, se fecho os olhos por um instante que seja, a vejo se decompondo, consumida pelas chamas… uma cena demoníacamente insuportável…
Ao redor, as pessoas olhavam. Simplesmente olhavam, sem nada fazer. Alguns, ainda, incitavam o ato e gargalhavam. Podia-se ver, claramente, o deleite em seus olhos. Eram como demônios que se alimentavam do sofrimento e dor dos outros.
E o próprio diabo, ali disfarçado, se personificava: vestes brancas, terços e cruzes de ouro incrustrados de pedras preciosas – contradizendo bruscamente com a pobreza e miséria do lugar – e aquele olhar sereno que somente os psicopatas conseguem manter frente à tamanha barbárie. Além disso, podia-se ver estampado em seu rosto um sutil sorriso. Tão leve que passaria despercebido. E vieram dele as acusações contra a bela jovem.
Jovem da qual pouco sabia. A vi umas poucas vezes no vilarejo. Mas ouvi que era da casa de Brisky, família importante e influente no local.
Ouvi, também, que ensinava populares a ler e que alguns religiosos estavam irritados com isso. Conhecimento é libertação, coisa que a igreja não quer para os seus seguidores. Seus olhos seriam abertos e ela – a igreja – perderia o controle.
Mas até onde os boatos seriam verdadeiros? Posso confiar nos meus critérios de julgamento?
Só sei que agora a vejo queimar após ter visto todo o seu sofrimento. E também vejo o sorriso do arcebispo e o entusiasmo de quem assistia.
Com o vento vem, novamente, o cheiro de porco assado. E dessa vez me dá fome...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Carolina IV - a Tempestade

O mar está calmo e o céu, sem nenhuma nuvem, estrelado. Milhares de estrelas podem ser vistas, mas não a lua. Era Nova.
Para muitos, essa visão seria relaxante e tranquilizadora. Para nós é o próprio inferno.
Nossa caravela foi a única de uma esquadra de 20 naus que não naufragou. Fomos pegos por uma forte e súbita tempestade havia dois dias – vimos vários de nossos companheiros, amigos e irmãos serem tragados pelas águas – e estávamos seriamente avariados: perdemos as três velas, por não ter tido tempo de recolhê-las. Uma delas, a principal, levou o mastro consigo, tendo partido e desabado em cima do convés, atingindo o nosso timão – não tendo atingido por muito pouco o nosso capitão, Malaquias – deixando-nos, além de tudo, sem o controle da embarcação.
Os remos também se foram. Devido à calmaria pré-tempestade, os utilizávamos junto com as velas para obtermos maior velocidade e atingirmos o nosso destino – as Índias – mais rapidamente. Com a tempestade, as águas – antes – mansas, tornaram-se revoltas e partiram nossos remos com sua fúria.
Essa é a nossa calamitosa situação: deixados à deriva, sem direção, dependendo única e exclusivamente das correntes marinhas – e da sorte. Nossas provisões são escassas. Durarão, no máximo, uma semana. Teremos que racioná-la.
A única coisa de que temos certeza, é que rumamos para Sudeste.
Disponho de um pouco de papéis, tinta e garrafas e, como não há mais o que possa ser feito, escreverei o que quer que nos aconteça. Espero que tais relatos cheguem a alguém que possa comunicar nossos familiares.
Reze por nós.


Miguel Augusto, tripulante da Carolina IV
09 de maio de 1500